Porque um dia a gente percebe que não escolhe mais apenas o programa do final de semana. Escolhe uma vida e decora ela com imagens de filmes, livros, coloca umas musiquinhas, pessoas... Mas a decoração tem vida própria e alguns livros insistem em entrar mesmo você se recusando a lê-los, outras pessoas resolvem sair mesmo que você as trate de forma especial, e alguns filmes ocupam o espaço todo até você precisar escolher entre você e ele.
SONETO DE SEPARAÇÃO (Vinícius de Morais)
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Escrito por Kamilla - a louca às 13h28
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